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Como fazer a revolução sem muito esforço

 5 hábitos revolucionários que você pode desenvolver

Não é que não queremos, é que não temos muito tempo. Esse é o problema. Queremos a revolução, sonhamos com a felicidade de todos, mas como encaixar esses anseios na nossa vida diária?

Existem os militantes, que são profissionais da revolução e dedicam seu tempo e inteligência à causa política e social, temos os part-timers, aqueles que se dedicam parcialmente participando de protestos e eventos,  e existem nós, os que não tem tempo.

Não se preocupe, se existe motivação, há ação. Apenas no campo da linguagem podemos ser revolucionários e mudar as coisas. Cinco dicas quentes, que vão fazer e muito a diferença. Afinal, quem você quer ser?

1 – Escolha bem suas palavras.

É simples: se durante uma conversa você se deparar com alguma palavra, termo ou expressão que possa ser ofensivo (mesmo que você não tenha intenção de ofender a alguma pessoa ou grupo, não fale, escolha outra.Responsabilize-se pelas suas escolhas linguísticas. Ouso dizer que existem apenas 3 tipos de problemas na vida: os metafísicos (éticos, amorosos, subjetivos), os pragmáticos (construir uma ponte, consertar uma unha quebrada, encontrar um emprego) e os linguísticos (tudo o que você fala, sobre o que fala, com quem se comunica). Livre-se de um.

Sim, suas escolhas linguísticas causam tanto ou mais problemas que um farol quebrado em um dia de chuva ou o seu pagamento em atraso.Claro que não é possível prever o que a outra pessoa vai sentir com as suas palavras, mas fique atento e escolha bem as palavras.

Exemplo:

Não chame pretos de morenos! Não! Não faça isso.

Observe que a maioria das vezes que citamos a cor ou algum traço físico de uma pessoa numa frase, a informação não tem valor descritivo e sim moral. É um julgamento, uma determinação somática que vem embutida de preconceitos e esteriótipos. Se você não tiver capacidade intelectual de entender a cor ou a cultura de alguém, simplemente não fale. Dá certo.

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Se fossem brancas seria apenas duas gatas, duas beldades, uma paulista e uma carioca…

-A Maria é aquela… preta,morena, moreninha, mulata, mulatinha, de cor, escurinha, …

Viu que problema? Porque você sabe bem que se referir alguém como negra ou como morena não tem o mesmo efeito, não adianta mentir e dizer que não. Para não ter problemas, basta você falar:

– A Maria, aquela de camiseta branca.

 

 

 

 

 

 

– Ah, mas é mais complicado.

Tá com preguiça de pensar, filho? Assim você vai longe…

 

2 – Dê o exemplo como algo normal

 

Você está lá batendo papo com amigos, aí numa frase você fala afrodescendente ao invés de negro ou preto, pronto.  Não precisa soltar a velha pérola:” Ah, porque agora não se pode chamar preto de negro, é afrodescendente”. Cara, você tentou esconder,  mas demonstrou sua idiotice do mesmo jeito. Você não quer se corrigir?

Outro exemplo:

– …esse jovens das comunidades…Comunidade, porque agora não pode dizer favela.

Você anulou o efeito que até você reconhece que tem a primeira oração, e deu o show da odiotice na segunda. Parabéns.

3 – Seja gentil e respeite

Eu não estou falando pra você respeitar de coração,  porque já vi que isso é impossível. Respeito de coração é difícil de encontrar na história da humanidade.  Então apenas respeite como comportamento. Você não é obrigado a lutar pela sua liberdade de expressão ou seus sentimentos todas as vezes. Se o cara gosta de azul e você de preto, tá, você pode pensar que ele é  idiota, claro que é, mas apenas pense e regozige-se em silêncio no seu íntimo. Não tem prazer maior.

 

4 – Corrija as pessoas ignorantes, mas nem sempre os idiotas

Há uma diferença: tem gente que é ignorante do mal, mas às vezes a pessoa simplesmente não sabe. Coitada. Não dá pra saber tudo. Neste caso, creio que vale a pena partilhar conhecimento, chamar o debate amigável. Não precisa trolar tooooodas as vezes.

Se o cara te fala uma merda machista do tipo “mulher só gosta de véio com dinheiro” (tudo isso é baseado numa história verídica), você tem duas opções:

a) Verificar o contexto cultural em que o indivíduo atua,  suas intenções (quer ofender ou quer apenas falar, porque falar todo mundo fala) e relevar. Pra que discutir com um homem, brasileiro, que assistiu novela durante 60 anos, não leu um livro, não se interessou em analisar criticamente nada na sua vida, mas é um cara simpático que só está falando. Não vale a pena.  Regozige-se em silêncio no seu íntimo

b) Ir pra cima independente da situação. Mas mesmo neste caso, seja gentil. Não custa nada e é mas fino.

 

5 – Deixe a pessoa falar primeiro

O idiota sempre se manifesta. não tem jeito. Deixe que ele mostre quem ele é porque vai acontecer fatalmente. Encare as pessoas de forma neutra, sem esteriótipos ou modelos. Quem é gente boa, será gente boa.   Não que eu seja uma cagaregras, mas esteriótipos cansam. Você quer apenas ser quem você é, enquanto o outro insiste em te limitar dentro de um modelo inferior.

A vida são nossas escolhas linguísticas, e boa parte da revolução é feita através das palavras que saem direto do coração. #linguisticsfeelings

:: Efigenias ::

Querendo mesmo é ser  Caetano Veloso

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Filed under Ideias sem acento, Linguística, Opinião