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Recordar é viver

Onde estão as modelos negras?

Segundo Naomi Campbell houve avanços, mas seguimos preteridas nas passarelas e anúncios publicitários

Em 17 de novembro de 2009, Naomi Campbell veio até esse blog reclamar da falta de modelos negras no mundo da moda. Um ano depois, nada mudou e aqui está a übermodel novamente pra dizer mais uma verdade inconveniente: a moda, assim como a sociedade, assim como o mundo é racista.

O mundo da moda ainda é racista, diz Naomi Campbell

Fiquei sabendo pelo site Black Hair & Other Stories que a revista Marie Claire tem uma sessão só pra mulheres negras. Espera um pouco, não era mais fácil diversificar um pouco as modelos e as matérias para que revista fosse uma revista feminina e não uma revista de mulheres brancas que as negras também podem ler? Fico feliz por termos espaço em uma revista que dita tendências e moda, mas como tô rabugenta hoje, permaneço com o pé atrás (que já tiver visto a revista ou tiver uma opinião, por favor escreva para a redação ou comente).

Iniciativas

A estilista e consultora de moda fofolete demais Thaís Losso (Cavalera, Sommer, Revista Capricho) por sua fez, foi ainda mais pontual e ao notar que no último Fashion Rio apenas 4 marcas desfilaram modelos negras e se questionou onde estão nossas meninas negras?

Como Walter Rodrigues não é bobo nem nada, na sua coleção de verão 2011, não colocou uma modelo negra, não colou uma cota de modelos negras, mas todas as modelos de seu desfile! Inspirado na zona da mata pernambucana todas as suas modelos eram pretas. Qual a diferença? Bem, todas são lindas e ficamos felizes, mas na prática são modelos como quaisquer outras!

Claro que essa atitude gerou um burburinho da primeira fila ao gargarejo, mas engraçado, quando todas as modelos de todas as revistas são loiras, ninguém fala nada… Mentira! Na época eu li na Lixolândia uma comentário que sim, os negros lutam contra o racismo, mas um desfile só com negras  é uma forma de preconceito contra os brancos.

Deixa eu ver se eu entendi, afinal, aqui somos um blog humanista e simpatizamos com a causa de todos os excluídos: em todos os desfiles da Fashion Rio, apenas 4 marcas tinham modelos negras, ou seja, a maioria das marcas desfilou apenas modelos brancas, muito bem. Por oposição, em um dos desfiles, todas as modelos eram negras, logo, essa marca foi racista. As outras que não tinham nenhuma modelo de nenhuma outra cor que não fosse branca, foram um mero acaso do destino. Entendi.

Sentindo na pele

A Editora do Efigenias, Luanna Teofillo, que vira e mexe tem seus dias de modelo de publicidade, em entrevista exclusiva, diz que o problema não é apenas o fato das pessoas serem racistas, mas também a falta de criatividade e profissionalismo de muitos trabalhadores da moda. “Já aconteceu mais de uma vez da maquiadora não ter maquiagem adequada para minha pele e eu ter sido excluída do editorial. Pior ainda uma vez que uma cabeleireira se recusou a arrumar meu cabelo, segundo ela, não mexia em cabelo como o meu, pode? Isso em Buenos Aires”.

E continuou: “Já na França há um fenômeno muito intrigante hoje em dia que são os modelos métisseMétisse é o termo que eles usam para um negro mestiço ou mesmo de pele um pouco mais clara como os brasileiros e caribenhos. Muitas vezes eu sei que eu não sou a mais bonita do casting, nem a mais magra,  mas como a minha pele é mais clara que das pretas maravilhosas que tem aqui, acabo tendo mais chance de pegar o trabalho”.

Perguntada se é a favor a adoção de cotas nos desfile, a blogueira é emblemática: “SIM! Sou a favor de cotas para tudo e por diversos motivos: para trazer o debate, para que as pessoas se posicionem, para mudar o quadro, para dar esperança as meninas que sonham em ser modelos. Afinal se a inclusão fosse algo natural, já teria acontecido. Numa sociedade racista, cabe a todos nós lutarmos para dar mais representatividade tanto de negros com orientais, indígenas, deficientes, mestiços,etc.”

É triste como o ser humano tenta, procura, se força para se limitar. Bem que Nietzsche me dizia que no dia que soubermos de verdade que somos o super-homem , com capacidades e inteligência infinita, teremos vergonha do somos hoje.

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África 2010 destino Brasil 2014

Chega ao fim a histórica Copa do Mundo da África do Sul 2010, a primeira do continente africano (Parabéns a Espanha). Durante um mês vibramos, torcemos, choramos (uns mais que outros) olhando para a África. Viva a Copa!

A Fifa mais uma vez se destacou como grande organismo internacional. Tão importante quanto a ONU e o trabalho diplomático dos países, a FiFa conseguiu unir as pessoas em nome do esporte no maior evento da Terra.  E na África.

Nos últimos 30 dias pessoas no mundo inteiro conheceram mais sobre a África, sua história, seus costumes.  Um olhar muito diferente do que estamos acostumados a ver quando se fala dos paises africanos. E digo África, não somente África do Sul, porque essa Copa representou todo o continente, o povo preto e sua cultura comum.

Pra vocês terem idéia da visibilidade, o termo “World Cup 2010”  teve um aumento de mais de 2000% no último mês nas buscas no Google* e outros termos como “South Africa”  e “Africa Cup” tiveram cresceram no interesse do usuário em mais de 1500 e 300%, respectivamente.

Impressionante também o interesse dos próprios africanos na Copa do Mundo. Os pequenos Suazilândia e Lesoto lideram a lista de paises no interesse nas buscas. O olhar do africano voltado para a própria África  demonstra a importância social do evento.

Os  problemas sociais também foram tema nesta Copa. Violentos protestos dos trabalhadores do Mundial por aumento  de salário e os crônicos problemas de fome, miséria e subsenvolvimento.  O lado positivo é que depois dessa Copa, ninguém pode dizer que não sabe o que acontece na África, tanto a luta e o carisma do povo, o potencial de mercado, os recursos naturais,  quanto a pobreza, racismo. e a Aids A Copa é uma grande exemplo para a humanidade, podemos nos unir para mudar esse quadro de desigualdade, baixar os índices de contaminação de HIV é um primeiro grande passo que devemos a mãe África.

Durante esse mês de festa,  dias vimos na televisão homens e mulheres negras bem sucedidas, lideres mundiais, presidentes, atletas negros. Falamos sobre a beleza das mulheres, o estilo, as paisagens paradisiácas e a influência da África na cultura da humanidade, mesmo quando não nos damos conta.

Uma vez eu perguntei a um lider budista, qual era a opinião do Budismo sobre os problemas que assolam a África nos últimos séculos e que parecem não ter data para terminarem. Com um sorriso ele respondeu temos que olhar a África como o futuro da humanidade.É o inicio e a continuação dela.

Eu gostei do que vi na Copa, muita festa e união, mesmo sobre o crivo dos céticos que dizem que o dinheiro foi a grande estrela do mundial. Humanista romântica que sou, acredito que a primeira Copa da África é um dos maiores eventos da história do povo negro.  E é só o começo.

:)

* fonte: Google Insight, sem valor oficial, meramente ilustrativo.

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Troféu Raça Negra 2009

Premiação de artistas, intelectuais, esportistas e personalidades pretas

Sharon Menezes e Cris Viana

Trofeu Raça Negra em São Paulo e mais uma vez não fui convidada :( Em breve serei uma blogueira respeitada e choverá convite vips para mim. (atualização: estamos em 2013 e até agora nenhum convite)
A imprensa não falou muito, confira a reportagem do Terra.
Pelas fotos eu notei que há uma carência absurda de maquiadores especializados em pele negra. Até eu, uma humilde multimidia wannabe me maquio melhor!
Fora esse detalhe, apoio o Troféu Raça Negra e espero que chegue a importância do BET Awards nos EUA.

ps. recomendo que vejam as fotos no Terra, leiam a reportagem mas não leiam os comentários.

Dicas de maquiagem para a pele negra

:: Efigenias ::

((aplausos))

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Black or Pink

Proponho a vocês a mesma  pergunta  que eu  fiz para um amigo canadense?

“Is it possible that pink is better than black in a human being?”

Nem vou publicar a foto porque isso implicaria  ter que olhá-la outra vez e é exatamente o que eu não quero para minha  vida.
Todos me conhecem por meu espírito tolerante e progressista (até demais), mas não consigo ter ternura por essas mulheres que usam clareadores de pele para “tentarem” ficar “brancas” (o que é ser branco?).  A primeira vez que eu vi no metro de Paris não podia acreditar. “Será que ela realmente crê que alguém acredita que ela é branca ou pensam que tem um câncer de pele?” divaguei no auge do meu asco.
unfairNós mulheres somos oprimidas pelas ditaduras da beleza. Mas isso não as eximir de culpa e nem  me impede de quase vomitar quando uma conhecida de Paris também disse que estava difícil encontrar esse tal “bleaching” ou “whitening” e perguntava se no Brasil não teria para comprar.
Não honey, não tem e se depender de mim não vai ter nunca! Qual neguinha do Brasil nunca ficou horas torrando no sol pra ficar mais preta? Eu, muuuitas vezes e vou continuar assim, quanto mais preta melhor!
Pra resumir minha conversa com ela eu disse: ” Ça, c’est dégoûtant, biatch!!”
:: Efigenias ::
o tempo passa…

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Cinema – κίνημα – kinema

The Modern Racist Paradigm

é um documentário superinteressante e até chocante sobre a evolução dos paradigmas do racismo e como  as caraterísticas de sua expressão se transformaram ao longo do tempo junto com a sociedade. O papel determinante de todas as mídias no processo de manutenção  e propagação do preconceito de cor e raça etnia.

 Efigenias Bamboozled

O gênio Spike Lee também trata do mesmo tema em

Bamboozled

, filme de 2000. Damon Wayans é Pierre Delacroix um executivo de um canal que ao expor o racismo e os esteriótipos repetidos pela televisão num Ministrel Show , acaba se surpreendendo com o êxito público e comercial de sua proposta e suas consequências.

:: Efigenias ::

À voir absolument

É um documentário superinteressante e até chocante sobre o paradigma moderno do racismo que evoluiu com o tempo e a socidade, e o papel determinante de todas as mídias no processo de manuntenção  e propagação do preconceito

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